sábado, 31 de julho de 2010

Nuances e Afetividade na Educação



Nuances e Afetividade na Educação



       
Olho para o mundo e vejo a pujança do modelo capitalista, refletida no amplo alcance das novastecnologias e na efervescência socioeconômica ecultural dentro da dita “Aldeia Global”.
Paradoxalmente, percebo um hiato no espectro das relações humanas, em que a máxima proferida por Charles Chaplin em 1940, quando do fi lme O Grande Ditador, permanece atualíssima e plenamente aplicável. Nela, o cineasta – e pensador – afi rma que “criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. [...] Pensamos em demasia e sentimos bem pouco”.
Na tentativa de inserir este viés de análise na seara
da educação, me remeto ao cotidiano escolar, do qual sou integrante, e enxergo o refl exo do conteúdo
supracitado, porém vislumbro a possibilidade da transformação humana através deste espaço.
O educandário deve ser percebido como uma instância do mundo globalizado, que lida com o saber científico, com as demandas do mundo do trabalho, mas, acima de tudo, que trabalha com a vida.
Tem no ser humano a sua matéria-prima.Para que a escola consiga dirimir o hiato entre o pensar e o sentir, um elemento irrompe como essencial: a satisfatória relação educador-educando.
O jornalista e educador Gilberto Dimenstein afirma
que “só existe um motor do aprendizado: paixão e curiosidade”.Diante de tal consideração, não é leviano pensar que afeição, amizade e amor – aliados à excelência do saber acadêmico – são elementos indispensáveis à libertação de mentes e corações humanos das

amarras e trevas da ignorância. Conseqüentemente, torna-se nítida a possibilidade de atuação da escola
como uma das ferramentas de ajuste social. Obviamente, não desejo conferir à educação um caráter messiânico.
O que de mim ecoa, como um brado, é a urgência de percepção acerca da importância da afetividade na relação professor-aluno. Não será mais propício ao pleno desenvolvimento das múltiplas habilidades do ser-educando a configuração de uma atmosfera cordial e solidária no âmbito da sala de aula, onde valores nobres – como respeito e reconhecimento – sejam difundidos e percebidosem termos práticos?
Afinal, a necessidade de amar, ser amado, reconhecido,
compreendido e pertencente a um grupo é
inerente ao ser humano. Não devemos perceber a
afetividade como um risco à autoridade do professor.
Esta, certamente, pode ser edificada em bases amorosas e, concomitantemente, ser reconhecida por meio do respeito, sem que se caia na esparrelado autoritarismo.
Mesmo em meio aos antagonismos da ordem capitalista, e diante dos  problemas do mundo, podemos desempenhar com altivez o nosso pequeno papel diante do todo, como bem recomendara o mestre Paulo Freire.
Tal desempenho, com afetividade, pode ser mais interessante, pois o próprio Chaplin nos alerta que “mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido”.
Pensemos nisso. _
Túlio Grégory Morais dos Santos

Um comentário:

Dani disse...

Sou aluna do Ensino Médio da escola Sesi Alvimar, da rede SESI MINAS DE EDUCAÇÃO, estou cursando o 3º ano e com muita satizfação e alegria posso dizer que tive/ estou tendo o grande privilégio de poder ser aluna desse fantástico professor que é o Túlio Grégory. Sou sua aluna desde o ano de 2009 quando estava cursando o 1º ano do ensino médio, tendo aulas de Sociologia e Filosofia.
Ao escrever o texto Nuances da afetividade na educação, Túlio foi bastante rico em seus pensamentos (como sempre), sua linguagem culta e bastante formal, num nível acadêmico bastante elevado, ou seja, como sempre diz "uma linguagem universitária, para meus universitários", se preocupando sempre na relação professor-aluno, e se dedicando ao máximo para fazer com que recebamos afeição e doçura, pois sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. Temos que apostar nos jovens de hoje pois eles sim serão o futuro de amanhã!